terça-feira, 1 de julho de 2014

— Os esquizofrênicos.

As forças esvaiam-se de seu corpo como folhas secas numa tarde onde o outono sopra seus ventos lúgubres. Embora sorrisse, curvando-se a cada gargalhada, sua alma chorava. Não estava mais em si, sua psicose ganhara vida. Adormeceu e sonhara com uma terra encantada onde a paz reinava e não havia guerras nem preconceito. Que disparate! Ele mesmo rira de sua utopia frágil e escandalosa, vejam só: paz e um mundo onde todo mundo era bom! Isso nunca existiu, meus caros! Nunca! Paranoia? Esquizofrenia? Lacan não vive mais, quem dirá Freud, quem agora explicaria seu surto? Não, de forma alguma seriam esses doutorzinhos imberbes. A psicose era sua válvula de escape, e assim seria para sempre, era um preço barato comparado à sua realidade dilacerante. Quem condenaria um louco? Mas a verdade era que, por baixo de sua loucura ele permanecia sóbrio… Dormira de novo e acordara, que sorte! A loucura não o matara, ainda. O coelho da páscoa que visitara seu sonho trouxera um ovo recheado de esperança… Até que acordou e teve o vislumbre daquela corda nociva presa ao galho da árvore esperando por seu corpo, sua alma… Era essa a esperança que lhe restara. Mas calma… Quem era mais louco? O psicótico ou o autor que o inventara? Seria eu poço dessa loucura? Não… Não poderia ser, a sobriedade ainda me cobria da cabeça aos pés. Minha neurose permanecia intacta, por enquanto. Mas voltando ao louco, ele despede-se de mim agora. Tchau, louco! Adeus! Não me apareça novamente, não me roube o sono, seu psicótico maldito. Não ousarei sair da cama para escrever sobre você de novo, adeus…


Ana Karolyna 

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