sábado, 27 de agosto de 2011

uma simples boneca .!

Em cima da prateleira ela o via dançar com a princesa. Via o movimento dos dois, cada passo, cada toque, tão bonitos, tão diferentes… dela. Mas afinal, quem iria querer uma boneca de pano empoeirada pelo anos que ficara na prateleira? Ela indagava isso todos os dias, era a única coisa que ocupava seu tempo, assim como sua mente. Ela ainda observava os dois dançando no chão do quarto, enquanto se olhavam da maneira mais bonita que já viu. Quando alguém a olharia assim? Até quando ia ficar na prateleira? Não aguentou a dor dessa pensamento, então arrancou seus olhos de pano… Tão frágeis como ela. Os guardou dentro de seu bolsinho, junto com todas os seus sonhos frustados pela insegurança. Ainda podia ouvir a música vinda da caixinha de música de sua menina, ainda conseguia imaginar os dois dançando, ainda continuava a doer. Então descosturou suas pequenas orelhinhas, sabia que delas nunca ouviria nenhum elogio ou alguém chamando seu nome, guardou-as junto com seus olhos. Mas ainda doía… Queria gritar para amenizar a dor, queria conversar com alguém, porém sabia que ninguém ia querer ouvi-lá. Então tirou-lhe sua boquinha, tão pequena, mas guardava tão grandes palavras, ninguém ao menos sabia disso. Guardo-a junto com seus outros pedaços de pano. […] A dor já deveria ter passado, havia ignorado os dois, havia ignorado tudo em sua volta, mas ainda estava lá. Escondido entre tantos pedaço de pano e remendos, estava seu coração. Calejado de tanto bater pelo sonho de ser feliz que nunca parecia chegar. Por um instante ela o sentiu bombear toda aquela dor por todo seu frágil corpo de pano. Então o descosturou. Não podia mais exigir que ele continuasse esperando algo que jamais iria chegar. O segurou por alguns instantes e o colocou ao seu lado para enfim descansar. Descansar de todas as dores, todas os pensamentos que a faziam ter medo… Descansar do futuro. Ninguém jamais saberá o que havia em seu coração. Apenas podia-se ler um pequeno bordado nele: “Boneca de pano. Coração humano.”

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