domingo, 24 de julho de 2011

Conforme as luzes da cidade ião se apagando ...



E conforme as luzes da cidade iam se apagando, você ia penetrando em minha mente. Ia roubando os segundos do relógios e transformando-os em minutos e até mesmo em horas, o que me deixava feliz — feliz de ver você querendo alongar o tempo que passava ao meu lado. Mas eu, insatisfeita com a hora da sua partida, tentava imobilizar o tempo e congelá-lo para te ter comigo, assim, para sempre. Nunca dava certo, e eu sempre te via dobrar a nossa esquina, jogando-me um beijo no ar e desaparendo na escuridão. Conforme as luzes da cidade iam se apagando, eu caminhava pelas ruas desertas e imersas em uma sofreguidão sem fim. Dois passos curtos, um longo, a brisa fria acariciando meu rosto… Eu olhava para trás na esperança de ver você correndo de volta para mim, dizendo que seguir em uma direção contrária da qual eu me encontrava, era mais do que você podia aguentar. Eu olhava para trás e quase chegava a abrir os braços, esperando por você. Mas você não vinha, e tudo que eu conseguia abraçar era o escuro tangível, que competia com a saudade que eu sentia de você. Conforme as luzes da cidade iam se apagando, eu ia me perdendo na esperança de que você fosse capaz de me encontrar. Conforme elas iam se apagando… Eu ia te perdendo. 

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