domingo, 17 de abril de 2011

senhorita liberdade



- Você me enganaou?
- Não, me apaixonei.
- Você me amou?
- Não, me apaixonei.
Seria mais fácil se ela não tivesse suspirado tão forte, e deixado escapar tanta tristeza. Aquilo deixou tudo em evidência, ele percebeu. Era o fim dos dois, e o começo dela. Dessa vez, a cinderela ficaria além da meia noite – muito além.  O último abraço foi tão difícil quando o primeiro; não sentir nunca mais aquele perfume tão de perto parecia tão amedrontador quando senti-lo para sempre. Ela arriscou.
Enquanto ela o deixava para trás, sentia o assopro da liberdade. Aquele vento que ao mesmo tempo a fazia protagonista de um filme americano qualquer, a fazia tremer de frio – era medo - desesperadamente.  Era uma extrema vontade de voar céu acima, com um medo de cair no chão inferno abaixo. Seja como for, já estava feio. Ela sobreviveria a falta de oxigênio e ao calor, ela era forte. Uma garota em busca da felicidade.
Atravessar a rua nunca foi tão difícil.  Eu diria que naquele momento, ela era uma placa de transito, daquelas que todos os motoristas são obrigadas a olhar: Não vire, não ande rápido, não bata. Ela tinha acabado de cometer um acidente, e ao mesmo de salvar uma vida. A sua.
Ela não se sentia bonita – como se isso fosse possível –  se sentia triste.  Mal sabia ela, que aquela lágrima funcionava mais do que qualquer maquiagem da M.A.C.
Depois de ver centenas de carros passar, desistiu que mudaria o rumo de sua vida naquele exato momento. Queria conhecer e não se apaixonar pelo primeiro cara que visse – Alguém aí quer dar uma carona para uma pobre donzela ferida (ou seria um donzela malvada e sem coração?).
O destino estava literalmente em suas mãos. Aquele sinal, ou quem o visse, mudaria toda a sua vida. Eu diria que era impossível não se enxergar aquelas mãos brancas e macias com aquele esmalte rosa pink meio descascado – existe algum sinal de ansiedade maior que esmaltes descascados? acho que não – que ela pintara no dia anterior.
Depois de alguns instantes, um carro foi parando e se aproximando devagar – o destino vinha lentamente em um conversível cor prata, ela queria mais o que? Odeio garotas sortudas – como o se lugar onde ela se encontrava por acaso, fosse o destino de sempre.
- Gostaria de uma carona senhorita?

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